O lançamento dum novo Chryseia é sempre um acontecimento.

E é sempre apresentado em locais de grande qualidade, espaços elegantes e mesmo requintados. Desta vez foi num novo espaço no centro do Porto, ali no Largo de Carlos Alberto, a que deram o nome de “Matriarca”.
Uma casa antiga que já pertencia a um dos elementos da família Symington, recuperada, respeitando a tradição.
Uma beleza, paredes e tectos pintados por gente das Belas Artes do Porto, espelhos antigos a dar profundidade, sofás, mesas muito bem postas, muita elegância por todo o lado. Ali respira-se qualidade. Depois duma visita guiada, sentamo-nos à mesa para um repasto que teria por companhia os três vinhos da Quinta de Roriz, encabeçados pelo novíssimo Chryseia 2023.
Já antes tinham sido servidos pela sala uns aperitivos saborosos: mini scones de sapateira, croquetes de pato e cones de mousse de fígado, na companhia já habitual do champanhe Paul Roger Brut Reserva, a fazer belo casamento.
Foi então servido o Prazo de Roris 2022. Um dos anos mais quentes de que há memória no Douro, com menos 70% de chuva do que é habitual, o que fazia temer o pior. Mas a surpresa foi o facto de as vinhas terem aguentado esta situação e se apresentarem em bom estado. Uvas das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e cerca de 15% de outras castas constituem o lote deste vinho, que estagiou 12 meses em barricas de carvalho usadas, de 400 litros. Logo no nariz, é um típico vinho tinto do Douro, com muitas notas de frutos vermelhos bem maduros, apontamentos de plantas do monte e leves notas de baunilha. Na boca é intenso, com óptimo corpo, muito frutado, um vinho guloso. Acidez equilibrada e alguma frescura, num vinho com grande aptidão gastronómica, para acompanhar uma grande variedade de pratos. Aqui acompanhou muito bem um polvo com saladinha de batata Ratte.

Seguiu-se o Post Scryptum 2023. Uvas das mesmas vinhas de que é feito o Chryseia, da Quinta de Roriz e da Quinta da Perdiz, utilizaram também as castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e outras castas em menor percentagem. Foi um ano bastante chuvoso durante o inverno e parte da primavera, o que fez com que os solos recuperassem do calor anormal do ano anterior. E assim a evolução das vinhas foi normal, permitindo obter uvas de grande qualidade.

Apresenta aromas diversos bastante concentrados, notas de madeira, esteva, especiarias. Na boca é muito elegante, sedoso, a fruta bem presente e uma óptima acidez equilibrada. Tem frescura, taninos controlados e um grande final. Fez boa companhia a uma lebre com feijão branco muito bem preparada.
Chegou então o rei, o Chryseia 2023.

O ano de 2023 foi um regresso à normalidade climatérica no Douro. Verão seco, mas com temperaturas amenas, que deram uma evolução das uvas muito harmoniosa. Quase sem chuva no verão, a vindima correu muito bem, sem precalços.
O Chryseia é já um dos grandes clássicos do Douro; é uma garantia de qualidade. E nota-se o perfil deste vinho, apenas dependente de cada ano e do seu clima. Como sempre, as uvas para o Chryseia vêm da Quinta de Roriz e da Quinta da Perdiz, mas também uma pequena quantidade da Quinta da Vila Velha. E são de Touriga Nacional (72%) e de Touriga Franca (28%). Estagiou por 15 meses em barricas de carvalho francês de 400 litros. Apresenta alguma complexidade aromática muito agradável, notas de resina e casca de pinheiro, algum fumo, especiarias variadas e frutos selvagens. Belíssima entrada de boca, muito concentrado, mas de grande elegância, a fruta bem presente, grande equilíbrio entre frescura e acidez, taninos muito finos.
Foi apreciado na companhia dum delicioso bife Wellington.
As sobremesas Paris-Brest e tábua de Stilton tiveram a companhia dum Porto Quinta de Roriz Vintage 2000. Perfeito!
Uma edição superlativa este Chryseia 2023, de grande nível, a espelhar todo o trabalho das equipas de viticultura e enologia. Está de parabéns a Pratts & Symington, mas está também de parabéns o Douro, com mais um vinho de nível mundial. Que já se bebe muitíssimo bem, mas que vai envelhecer tranquilamente, continuando a dar imenso prazer aos vindouros.
Ainda com os paladares na boca, foi um passeio pelo centro da Invicta que completou um belo dia.